sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O meu ceu


Микола Степанович Вінграновський
Mykola Stepanovych Vingranovsky (1936 – 2005)
Cineasta Diretor e Poeta ucraniano.

Tradução do ucraniano por Mykola Szoma

O meu ceu

No ceu azul plantei a minha floresta,
Ali no ceu azul, está o meu amor querido,
A minha floresta é de bétulas e de carvalhos,
O meu ceu azul é de carvalhos e de bétulas.

No mar azul eu semeei todos os meus sonhos,
Nos reflexos do horizonte, do mar azul,
Eu semeei os sonhos da tua primavera,
No mar azul todos os sonhos da tua primavera.

Aquela floresta romperá o silêncio. E os sonhos
Mostrarão o teu vulto no ceu e nas ondas azuis,
Sobre as nuvens do ceu, sobre o azul do mar...
Mostrarão o teu vulto e -- Depois, cessarão.

O meu cajado de carvalho. O passeio vespertino,
Comigo ao meu lado e contigo, passarada e flores,
Pelo caminho, o ceu -- que é teu, por sobre nós.
O nectar do teu amor... É longa a estrada minha!

Дрімають


Горізонти дрімають!
Замовкло усюди...
А люди співати забули
-- Друг друга, якщо
іще можна отако й сказати
Вбивають своїми руками...
Питають тоді:
А що ж це оце?.. Буцімто
вони ж самі не знають!..

Томуж і питають.
Неправда! Вони добре знають.
Знають тоді як брат брата
в повазі не має, то стануть
в'язницею кожний другому!..
Спокою тоді вже не мають
у своїм (чужім) дому.

Горізонти дрімають!
Поза хмари сонце сховалось.
Вітри не віють.
Журавлі не літають.
Листя дерев не зеленіють...
Ліси, лани та всі холми
-- в моїх поемах, не вибухають.

А люди. брати чи ні, не знають!
Томуж і не питають:
"А ти що пишеш?
Про тебе знають?
Слово твоє плекають?"

Нехай не знають...
Прийде година... прочитають!
Та й може привітають.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Apenas seja você


Não seja!
Você já é...
Não veja!
Você já está vendo --
O que o mundo é,
O que os outros são;
O que você não é,
O que você não poderá ser;
O que os outros não verão em você,
O que, de você, os outros jamais terão!

Assim terá menos desgaste como ser.
Perguntas não fará "Eu devo, ou não?",
"Porque eu quero em não me querer?..",

Dissolvo-me nas sombras do ingógnito
-- ao invés de um viajante do além mar,
pudesse me tornar em não perdendo tempo
a tais perguntas responder!

Se o mundo é, eu também sou.
Se os outros vão -- Paro e medito.
Não me convém, não vou! Destarte,
a arte do artista é a sua criação.
Plagiado de lápide fria
não me agrada, não!
Sucumbam todos!
Eu, não!..
Sigo a sós o meu caminho.
Haja vendavais, ou não...

Não seja!
Você já é...
Eu também sou!

Ele está dormindo


Микола Степанович Вінграновський
Mykola Stepanovych Vingranovsky (1936 - 2005)
Cineasta Diretor e Poeta ucraniano.

Tradução do ucraniano por Mykola Szoma

"Ele está dormindo"

"...Estais vendo? Sim -- ele está dormindo..."
...Estais vendo? Sim -- ele está dormindo!
Eu espero por vós, camaradas. Sois um período!

Não vos permita Deus que o acordeis em mim...
Não tenhais pressa, usufrui-me aos poucos,

Primeiro os lábios, as mãos, depois a face,
Depois os olhos, os pés, por fim os rins.

Parece-me que de supérfluo eu nada tenho --
Eis tudo que possuo... Tenhais certeza disso!

Levai-me já! A hora está chegada!
Ao raiar do dia, uma nave alada virá buscar-me.

Direis a ela: "Ele ausentou-se".
Por longo tempo -- Para sempre!
Entre nós não estará mais. As suas mãos
o abraçaram... Cruzaram-se fielmente...

Direis a ela: -- Na madrugada me encontrastes --
Eu reclinado, estava ouvindo as batidas do coração.

Mais uma coisa! Talvez insignificante:
-- Guardeis para os poetas os meus olhos.
As minhas mãos, entregueis ao aviões...
Os rins, aos ventos... A face, aos ceus azuis.
Os lábios meus, às ondas e aos novilhos,
Os pés, às flores; para que as flores andem.

Isto é tudo... Por fim, um ramalhete
de "orquídeas" Ora-pro-nóbis amarelas e vermelhas
Presenteiem a mim...

Estais vendo? Sim -- ele está dormindo!..
Ele está dormindo, o meu animal!
O lindo animal do meu coração!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Um maltrapilho


De maltrapilho,
não só a imagem.
De maltrapilho,
também a existência.
Não tem um canto onde apoiar-se
Nem repousar dias cansados seus.

Perambulando pelas ruas, procura
e não encontra -- o que lhe deu,
sem compromisso, a natureza fria
-- a vida digna! Ele a perdeu...

Nem sabe como. E foi, quando
descautelosamente nasceu.
Ali naquele canto,
por desencanto
desprevenidamente, a mãe
o concebeu. Depois... deixou
a sós -- Partiu. Fugiu, esqueceu!

Ele cresceu maltrapilho,
Vagando pelas calçadas,
procurando algo que não perdeu...
Algo que poderia ter sido seu
Porém, não recebeu, de quem a
Vida desprevenidamente lhe deu...

Perambula também a sua existência
Refletindo, da sua alma, a imagem
no seu corpo tombado em falência!

Será longa a sua permanência
como um buscador de si mesmo
durante o estado de ser tão
somente um maltrapilho da
sua própria existência?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Amor não é paixão


Não é paixão.
É crepitar de brasas.
Será que você sabe o que é?

Também não pode ser saudade
-- Saudade quando bate
Aperta o coração!
Estrangula a garganta.
Retira o fôlego do peito
Estraçalha a alma da gente
Tira da lembrança tudo,
e vocẽ fica não sabendo
quem voce é...

Você não sabe o que é saudade
de alguém que há tempo
já não se vê.
De alguém que alimentou sonhos
tal qual você.

Não é paixão.
É crepitar de brasas.
Você não sabe o que é. Por que?
Porque nunca amou de fato.
O seu amor não foi incadescente.
Senão teria queimado as entranhas,
Amalgamado os valores,
Destruido as normas e,
Construido os dissabores.

Não é paixão.
É crepitar de brasas.
É indomável e é mais forte
que todas as paixões do mundo!
Por vezes triste e insuportável
Que queima o ser e a alma.
É crepitar de brasas.
É o amor afável
-- O contraponto de indomável!..

Se deu assim


Não são saudades do passado...
Portanto, saudosismo não pode ser.
Apenas refletindo as coisas como andam
-- Os que constroem, também destroem!
Vejamos a história, de um grupo
que se dizia: Nós não teremos
jamais um fim! Se deu assim:

Se uniram. Se organizaram.
Cotizaram-se os meios... Construiram.
Eram anos cinquenta. Irmãos fluiram!.
Fluiram cantando músicas da pátria --
Doçura celeste efluiram.
Um templo erigiram.

Cantavam Glórias! Progrediam...
Venerando o sacrosanto nome de Deus
A Sua Palavra de Vida difundiam...
Unidos na fé, cada vez mais cresciam!..

E perseveravam na doutrina,
e na comunhão, e no partir do pão.
Em toda parte havia temor,
E muitas maravilhas e sinais se faziam:
-- Havia um coral misto,
-- Havia um coral masculino,
-- Havia uma orquestra de cordas:
violino, banjo, bandolins e violões.
-- Uma sanfona Scandalli de 120 baixos.
-- Um Maestro regente. Sabia cantar!
Ensaiava as quatro vozes, fazendo
as vezes das suas funções.

O Pastoreio foi mudando.
Aos poucos, a história foi se interrompendo.
O farol da barra do horizonte se apagava.
Algo novo, subrepticiamente, se apresentava!
Anos setenta terminariam uma maratona de
Mestres, que fixar-se não conseguiram, Todos,
um a um -- como se fila indiana, partiram.
Cada um cuidar de si... Assim, preferiram!
Havia um. Não era mestre, nem mestrinho...
Porém esperto como só ele era. Se proclamou!
Ganhou e submeteu a si o que restou.
Assim, a história degringolou.

A planta que tinha tudo para crescer
Murchou. Quem a plantou
Jamais teria imaginado em pensamento
um fim assim indigno do nosso momento!

O relato desse poema
Não passa de uma tragicomédia abstraida
da real vivência -- de alguns, do palco
da vida... Poderia ser melhor usufruida!