sábado, 5 de janeiro de 2013
Uma canção tártara
Полонский Яков Петрович (1819 - 1898)
Jakov Petrovič Polonskij
Prosador e poeta russo
Tradução do russo por Mykola Szoma
(Татарская песня, 1846
Посв. Г. П. Данилевскому)
Uma canção tártara
Dedicatória a G. P. Danilevsky
Apoiado na parede,
de um silo de pedras,
ele estava de pé;
Eu recordo, ele vestia um "kaftan" muito caro;
Por debaixo da vestimenta vermelha,
Ele mostrava uma camisa azul claro...
Desprezai-me por isso, assim mesmo eu o amo!
Gente má, julgai-me o quanto quizerdes --
Eu não temo a vossa justiça;
Culpada não sou! --
Não jogueis, em mim, pedras!..
Pois já machucada estou...
Cresce uma granada dourada,
junto àquela parede;
E os frutos de lá,
não se pode alcançar, de modo nenhum;
Para que servem os homens bonitos
Poderia eu querer enfeitiçá-los!?. Não!
Poderia eu escondê-los -- todos no meu peito,
Nas sombras das noites?..
Eu apenas ficria com ele --
Mais amor -- de ninguém, eu preciso para mim!
Não jogueis, em mim, pedras!..
Pois já machucada estou...
Fomos separados,
As montanhas nos perderam,
entre os montes de Erivan!
Um eterno e infindável inverno gelado --
Cobriu tudo com a branca neve!
Dizem, que em terras estranhas
As donzelas da Geórgia,
com o brilho da sua beleza,
Atraem os corações...
E de mim, nesse país,
Ó, meu amado, lembrar-te-ás para sempre?
Não jogueis, em mim, pedras!..
Pois já machucada estou...
Há notícias,
chegaram-nos das bandas de lá;
Lá, além daqueles montes, houve uma batalha sangrenta;
Fizeram o cerco... Dizem, que
Um batalhão de nossos "sarbasy"
Foram eliminados, numa infame traição... Tchu!
Ao longe, ouço galopes...
O cavalgar de cavalos, tinindo seus cascos...
Pelos ares, levantantando a poeira...
De medo, eu tremo e rezo em silêncio.
Não jogueis, em mim, pedras!..
Pois já machucada estou...
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Nota:
O "poema" original foi dedicado, por Abbas Quli Khan
-- dinastia Pahlavi do Irã (Абаз-Кули-Хан), ao poeta
polones Lado Zablocky, que o traduziu para o polonês,
em forma de prosa.
Por sua vez, Jakov Petrovič Polonskij deu-lhe a forma
de poesia, traduzindo-o para o russo.
Grigory Petrovich Danilevsky
-- Escritor novelista historicista russo,
de origem ucraniano (Sloboda district, 1829 - 1890).
Foi educado em Moscou, no Dvoryansky institut e teve
seus estudos completados em St. petersburg (Rússia).
kaftan
-- Uma variante de túnica ou roupão (ing., robe)
sarbasy
-- Soldados persas
Чу! (Tchu!)
— Apelido do poeta G. I. Gagarin, na organização
literária Arzamas = «Арзамас».
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Velho sazandar
Полонский Яков Петрович (1819 - 1898)
Jakov Petrovič Polonskij
Prosador e poeta russo
Tradução do russo por Mykola Szoma
(Старый сазандар)
Velho sazandar
A terra rachada, pelo calor do dia,
Da noite a neblina, não conseguiu refrigerar.
A Tiflis -- de multivarandas, dorme o seu sono;
Ali, a montanha escura e, mais além, o brilho da lua.
O rio Kura geme e murmura, debatendo-se
com as suas ondas vivas, contra
os despenhadeiros escuros dos rochedos...
Num daqueles rochedos, há uma modesta choupana,
Com um terraço e uma pequena varanda --
dependurada -- sobre a escarpa abrupta.
Ali eu poderia, sem perturbar a ninguém,
Estender os meus tapetes alcatifados,
Passar ali dias inteiros, em repouso tranquilo,
Olhar e admirar a cordilheira e suas montanhas:
Não se veem as montanhas --
O espaço todo revestiu-se de lilás neblina;
Vejo apenas a ponte dependurada,
Também a torre da mesquita,
E o álamo, baloiçando ao vento, trepida...
O meu patrão -- pouco me importa, franzindo a testa;
Verdade é, está contente em ser eu seu visitante...
Fico calado e ele -- sempre fumando,
Com o "papakh" na cabeça, escondendo até a testa...
Bigode cinza, olhar bravio e severo,
Semblante rígido; mas o calor das canções
Ainda guarda, em seu peito estraçalhado,
O meu -- envelhecido, antigo sazandar.
Tangendo -- com os dedos, de cobre as cordas,
Ele chora canções, as melodias do seu coração,
Capazes de, em revitalizando-se repentinemente,
Transformarem-se em ecos do meu coração!
"Reze, amigo! Assim fortalecerás o teu espírito.
Não chores... Por enquanto, todo este mundo
Ainda não ensurdeceu. E nem cego o mundo ainda ficou,
Tu és um visitante convidado para a "ceia do senhor".
Ainda temos o pão suficiente
E temos um canjirão cheio de vinho,
Não queira irritar os ceus, com os teus choros;
Saiba -- toda tristeza tua, não passa de pecado.
Observe -- ainda está sobre aquela rocha
A saklia pequenina, na qual tempos atrás
-- um meio século -- se foi, ao menos;
Meus olhos invejavam, ao coração querido,
Aquele olhar puro. Jamais será esquecido!
O mundo de então era menor, assim me parecia;
Então morria, quando atravessar eu não podia --
Durante os festejos, em nome de alguma canção,
Os umbrais daquela pequena choupana -- saklia.
Acompanhado por um velho tchinguri
Na entrada, do quintal da moradia,
Como um pássaro -- depois da tempestade,
Eu cantava o meu hino poético de elogios.
Hoje eu sou idoso; Ela -- de mim distante!..
Onde está? -- Não sei; Porém, creia-me,
Mais longe está aquele, por quem tu sofres
Por quem sentes o desgosto de saudade agora.
O sofrimento teu -- está além daqueles montes,
O teu amor -- ficou perdido na terra pátria;
O meu amor -- está voltado para as estrelas --
Está à minha espera, junto a deus, no paraiso!"
Calou-se sombriamente o starik velho;
Deitou-se sobre o tapete alcatifado --
Ouvindo atento, a cada pensamento seu,
De como -- sob o paredão das rochas,
Geme e murmura, debatendo-se o rio Kura.
Ele possui mais tempo para sonhar...
E eu?.. Eu nada lhe direi. Ó, não!..
O coração do visitante não se apega
A ninguém destas montanhas... Não!..
Sinto-me triste neste mundo enorme;
Penso que sou um visitante indesejável,
Aqui -- onde todos se reuniram para
Satisfação dos desejos de "comes e bebes";
A dádiva do canto meu, me apavora, --
Não há quem possa ouvir os meus cantares,
Penso que na velice, talvez não haja
Alguém quem possa esperar-me no paraiso!
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Nota:
Sazandar
-- Músico ou o cancioneiro popular,
em Azerbaidjan, Armênia, Geórgia e Irã.
Kura
-- É o maior rio da Transcaucásia,
que banha Azerbaidjan, Geórgia e Turquia.
Tem uma extensão de 1364 km e desmboca no
mar Cáspio.
Papakh (papakha)
-- Gorro feito de pele de animais
e com parte superior em tecido.
saklia
-- Casa dos montanheses do Cáucaso.
tchinguri
-- Instrumento de cordas
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Starik
Полонский Яков Петрович (1819 - 1898)
Jakov Petrovič Polonskij
Prosador e poeta russo
Tradução do russo por Mykola Szoma
(Старик, 1884)
Starik
Starik, ele andava se lamuriando, vencendo
Cada passada sua, pela escada, com muita dificuldade,
Como milagre, à sua frente, corria uma linda menina,
Que parecia a própria primavera que estivesse ali soprando.
Carregando o leve ruido dos seus passos, e os misturando ao vento,
Formava sinuosidades de compridos caracois...
Ó, como ele sentiu-se, consigo próprio, infame e abominável,
Um peso morto, desnecessário e resmungão.
O velho desanimado... -- Desalentado pela idade, suspirou;
Ela partiu, atravessou aquela porta entreaberta,
Como um fantasma, que não soubesse mais amar,
Como um fantasma da própria beleza, predestinada pela sorte,
Desapiedosamente amores despertar.
Ó, formosura! Espere pois!.. A vida há de te ensinar --
Sofrer e sentir dores, quando alguém te ultrapassar...
Sentir-se desprezado e inutil... -- Terás de reunir forças --
Para subir a escada! -- Assim, novo caminho na vida reiniciar!
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Amor de rouxinol
Полонский Яков Петрович (1819 - 1898)
Jakov Petrovič Polonskij
Prosador e poeta russo
Tradução do russo por Mykola Szoma
(Соловьиная любовь, 1856)
Amor de rouxinol
Em dias, nos quais eu fui um rouxinol,
Quando pulava de galho em galho,
Eu adorava olhar, com os meus perscrutadores olhos,
Através da janela, uma rica gaiola...
Naquela gaiola morava, recordo ainda --
um pássaro -- Uma bela e formosa mulher,
Que, em observando a paixão da linda donzela; E,
sem querer, fui me atraindo, --
Pela força do hábito, eu me liguei nela.
Por longas noites escuras, chorei
Alimentei os meus sonhos benditos,
Cantei cantos de amor, pelas calmarias de alamedas,
E fluiam os sons, como se lágrimas fossem.
Na lua eu via um rival...
E várias vezes, à mulher solitária dos sonhos
Os meus suspiros -- de amante secreto, eu enviava,
Pelas ondas do vento, um cheiro de aromas.
As estrelas, por vezes, ouviam,
Da minha serenata, as despedidas --
E, quando a "pequena" minha, por razão alguma, acordava,
Derramavam-se em banheira cristalina.
Certa vez, a tempestade vinha chegando...
Eu vi algo estranho, -- Uma janela entreaberta,
E a gaiola, que alegria! -- Então abriu-se sozinha,
Para que o pássaro pudesse sair dela.
Então eu chamei, a linda beldade
Ao raiar do sol -- nas verdes campinas --
Lá onde se juntam as úmidas sombras, pra no sono embalar
Os calmos e aconchegantes ninhos.
"Abandone a dourada prisão!
Obedeça à voz da verdade de deus!" --
Eu chamei... Mas, para a liberdade, deus apenas conduz.
A mim, ela permaneceu indiferente.
Coitado, percebi-o mais tarde,
Que sementes "seletas" somente bicava --
Depois gorjeava -- cantando não consegui o que entender --
Porém muito triste, sem fingimentos!
Por isso será que ele triste andava?
As suas asas -- não mais voavam; Amarradas estavam?
Ou talvez, porque de manhã, bem cedinho, a primavera passou
E as minhas canções para sempre levou?
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Sol e Lua
Полонский Яков Петрович (1819 - 1898)
Jakov Petrovič Polonskij
Prosador e poeta russo
Tradução do russo por Mykola Szoma
(Солнце и Месяц, 1841)
Sol e Lua
A lua mandou os seus raios
sobre o balanço daquele neném.
"Por que tanto brilha a Lua?" --
Acanhado, ele a mim perguntou.
Durante o dia, cansou-se o sol
Então, lhe disse deus:
"Vas repousar, um soneca tire;
E contigo, vão todos dormitar".
O sol gritou, para a irmã sua:
"Minha irmã, ó, lua prateada!
Acenda o farolete; -- Visite,
esta noite, da terra os povos.
Quem reza ali, quem ali chora,
Quem a outros não deixa dormir;
Visite a todos... -- E depois,
Pela manhã, venha contar a mim".
Quando o sol dorme, a lua anda
Vigiando a paz entre os mortais.
Pela manhã -- logo cedinho,
À porta bate do seu irmão maior.
Stuk-stuk-stuk! -- Abra a porta!
"Acorda, o sol! -- As gralhas...
Os galos já cantaram, --
E já os sinos da manhã tocaram".
Sol acordou... E o sol pergunta:
"O que me dizes, irmão querido,
Como te sentes nas mãos de deus?
Por que estás pálido? O que foi
que contigo aconteceu?.."
Lua começa contar a sua estória,
De como, cada qual, na terra vai.
Conta que a noite foi tranquila;
-- Então o sol, todo alegre sai.
Caso contrário -- Escuras nuvens
E ventos, com chuvas torrenciais,
Invadirão a terra...
Naquele dia, a pajem
-- do seu neném, ao passeio
pelos jardins não levará...
Ні слова мені
Я думав писати поеми,
Слів бракувало в моїм словарі.
Тоді я задумав співати пісні
композиторів таких, які вже списали
всі вірші, що можливо було написати
на листочку паперу...
Ввесь словар вони погастували
-- Не осталось ні слова мені!
Чудні люди вони!
Співають вірші поетичного строю.
Композитором звуться, як на правді,
складають поетичного строю вірші...
Тодіж як співають, співаком звуться
-- І не знаю, де я стану,
Бож поеми пишу! Не співаю
-- таж і співати не знаю.
Тільки знаю одно і скажу:
Слів бракує в моїм словарі!..
Шуміли вітрила
Шуміли вітрила,
Горіли копита залізних коней
-- Небули то підкови,
А чомусь зупинили оті чорні брови
-- Не любив їх я
Й також, і вони не любили мене!..
Шуміли вітрила,
та й розтяглися з шумлінням своїм
аж попід небо усе...
Та вітер повіяв
Розвіяв шумливий той стогін,
Як димом край неба захмарив.
Як думи мої розповсюдив
-- а думали всі,
що то падає сніг
у веселій весні!
-- Часами й бувають такі дні.
Тумани крайнеба шиптали
неначеб гусей табуни...
Направдіж, то хвилі
раз у раз -- побіч себе,
самі себе обгортали
-- в похід до другої весни!..
Тоді разом шуміли:
вітрила й вони
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