sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A noite georgiana


Полонский Яков Петрович (1819 - 1898)
Jakov Petrovič Polonskij
Prosador e poeta russo

Tradução do russo por Mykola Szoma
(ГРУЗИНСКАЯ НОЧЬ, 1846)

A noite georgiana

Ó, noite georgiana -- eu me embriago com os teus ares!
É muito agradável estar sob o manto de teus alpendres,
Repousar sob a coberta de uma acolhedora saclia natsval.

Sobre os tapetes macios deitado, sob uma burca peluda,
Nem ouço o latidos de cães, nem o relinchar de jumentos,
Tampouco o canto selvagem do triste tanger de tchinguri.

Adormeceu o meu amo -- apagram-se as luzes do alpendre --
A concha escureceu... A lua emergiu!.. -- fiquei contente
A gordura de cunjut, da minha lampada aldeã, se esgotou...
Outras lampadas se acenderam. Outras harmonias agora ouço.

Meu deus! Que ressonância! Ouço!.. Que pássaro aquele --
É pássaro noturno. Dos pantanais -- o som vem lá de longe.
Até parece o som de flauta. Entrecortado, puro e límpido,
Tom soluçante. Eternamente uma mesma e sempre a mesma nota
-- Repetida nos compassos similares... Tristes e chorosos
O som ecoa. -- Será ele o causador da minha insônia?!
Será ele o causador do sofrimento da minha alma?!
Sinto as pestanas se mechendo... Os pensamentos avançam --
Não se interrompem, como se ondas flutuam -- um após outro,
Despencando do alto das rochas, rio abaixo escorregam.

Porém, as ondas dos rios, não correm pelos desfiladeiros,
Subindo -- para atingir as alturas e unir-se com as ondas
Das imensidades de um mar! -- Não! Antes de o mar atingir,
Se apressam descer para os vales. Os vinhedos embebedar...
Os campos de trigo -- do mais antigo povo do mundo, regar.

E vós, meus pensamentos! -- Antes de irdes para eternidade,
No seu lampejo voador e querendo abarcar todas as miríades
Dos mundos..., -- Dizei-me: Por quem foi determinado a vós
Voar, de modo improdutivo, por sobre os espaços desse país.
País amado loucamente e -- pirogravado pelos raios do sol!

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Nota:
Natsval -- autoridade maior do vilarejo
Saclia -- casa dos montanheses do Cáucaso
Burca -- capa de frio usada no Cáucaso
Tchinguri -- instrumento de cordas
Cunjut -- arbusto

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A georgiana


Полонский Яков Петрович (1819 - 1898)
Jakov Petrovič Polonskij
Prosador e poeta russo
Tradução do russo por Mykola Szoma
(Грузинка, 1846)

A georgiana

Pela primeira vez, ontem você viu a georgiana
          Sobre uma laje coberta de tapetes,
Ela vestida toda de seda agaloada, e escumilha
          Transparente cobria os seus ombros.

Hoje, empobrecida, sem véu -- emancipada,
          Deslisa pelos caminhos estreitos, montanhosos,
Por entre as brechas de muralhas, sobre cabeça
          Ela carrega um jarro, com desenhos adornado.

Oh, não! Não tenhas pressa. Meu viajor cansado.
          -- Não caias na tentação de pensamentos vãos!
Por entre as brechas, miragem não sacia os desejos
          Nem ventanias sussurrantes de sonhos enviará.

Caminho montanhoso na Geórgia


Полонский Яков Петрович (1819 - 1898)
Jakov Petrovič Polonskij
Prosador e poeta russo

Tradução do russo por Mykola Szoma
(Горная дорога в Грузии, 1846-1851)

Caminho montanhoso na Geórgia

Ando e sinto, é pesado o meu caminho,
Quão infrutíferos são os meus motivos!
Cavalos tensionaram seu peito,
A quentura do sol aqueceu os estribos.

E tu, que te mostras um guia afoito,
Lá de cima gritas para mim: siga-me!
Desde a tua infância te acostumaste
Aventurar-te com uma arma nos ombros.

Hoje eu acordei muito cedo!
Da natureza senti uma saudade --
Arcabouços de rochas de argila,
E dos bosquedos as copas caidas!

Tudo calmo, ausência de gentes...
Aqui nestas alturas é pesado estar.
Mergulhadas num sono eterno,
As ruinas mtuamente acotoveladas.

Dormem!.. Mal pode-se ouvi-las.
Nunca alguém, resposta delas ouvirá!
Jamais também, alguém com elas
Uma palavra alegremente trocará!

Será que não? -- diga-me velho guia,
-- Não haveria tradições?! -- Lançou
A mão sobre o chapéu, para tirá-lo...
Como sinal, Starik sua cabeça meneou.

Observo -- os riachos correndo --
Deslisam as espumas para os vales,
E nas límpidas águas dos ribeiros
Vejo cavalos atolados pelos joelhos.

Quisera, também, mergulhar nessas águas
Refrescar-me -- nas sombras do tempo.
Pular do cavalo... Mergulhar no riacho
-- Cruzar os meus braços. Tudo esquecer.

Da cela porém, não há como pular!
À esquerda -- paredão íngreme de rochedos,
À direita -- arvoredo e neblina profunda;
Das águas murmúrios. Dos ribeiros espumas.

Ser a seta, por um arco lançada, eu queria!
Saltar sem limites!.. Mas como, não há. Não!
O cavalo faz o seu trote com calma, certeiro
-- Cuidadoso pisando o casco nas pedras...

O cuidado também é conquista!
O cavalo assim, valoriza a si.
De repente -- Os ventos do sul
-- uivantes espaços propagam,
De longe, ouço a voz dum amigo
-- Algo parece querer-me dizer.

"Amigo! Por que
um caminho melhor tu desejas?
Apenas um só há..." Sem outros,
Cavalo! Andes como tu sabes,
-- Aqui, o teu dono eu não sou!

Quatro paredes


São quatro paredes.
Quatro paredes alinhadas,
Formando um retângulo na base.
Sustentaam um telhado
Envelhecido pelo tempo...
Uma fachada, ostentando ainda:
"Era um templo no passado".
-- Hoje, quase esquecido --
Embora ainda (poucas vezes)
Por saudosistas frequentado.

Quatro paredes, paredes são
E as paredes jamais falam.
Mas, se falassem as paredes,
Diriam elas o que? -- Diriam:
"... outrora fazia-se cultos"
Aqui, entre essas paredes.

Hoje, o desleixo tomou a conta
-- Tombou, entre as paredes,
todos os espaços... Por vezes,
Um "vendaval", de encontros
saudosistas, celebra os feitos
dos "atos" já desfeitos
nos registros memoriais!
-- Chamados de "Atas" gerais...

Ó, saudosistas!
Em vão proclamais.
Os feitos passados não voltam.
Ninguém se lembrará deles,
-- Perdidos que foram os seus
anais... Por entre as paredes,
agora circulam apenas os
ventos. Por vezes, também
As ventanias baloiçam
a poeira dos bancos.

Será que os bancos
-- Um dia, a sua história, sobre
as quatro paredes, aos ouvidos
de alguém contarão?! Lembrei-me:
Os bancos são de madeira...
Portanto, os bancos não falam,,,
Não!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Uma hipótese


Полонский Яков Петрович (1819 - 1898)
Jakov Petrovič Polonskij
Prosador e poeta russo

Tradução do russo por Mykola Szoma
(Гипотеза)

Uma hipótese

Repentinamente ouviram-se ecos de sons musicais da eternidade,
E eles fluiam, como se uma onda fossem, para a infinitude,
E pelo caminho eles se apoderaram de um caos, --
E nas profundezas abismais , como se uma tempestade,
fizeram rodemoinhar os luminares:

Como uma corda sonante cada raio seu vibra,
E a vida despertará -- sob essa vibração,
Somente nos ouvidos daquele -- não parecendo mentira,
Quem, a seu tempo, ouvir esta música divina,
Quem tiver a sua mente iluminada, e de quem fremita o coração.

(4 poemas)


Полонский Яков Петрович (1819 - 1898)
Jakov Petrovič Polonskij
Prosador e poeta russo

Tradução do russo por Mykola Szoma
(Вот и ночь)

E chegou a noite

Anoiteceu... À sua porta
Se aproximou, ele sem fólego:
Ele cansou porque atrasado?..
Ou atrasou-se porque cansado?

Tirour chapeu, sentou-se
E, pálido, olhou para a janela;
Com atenção, estava ouvindo
Um delirar apaixonado -- dizia:

-- Anjo querido! Descanse em paz
À tua porta jamais eu baterei...
Da tua lamparina eu vejo a luz.
Sinto-me enlouquecida -- E rezo.

Nem sei se por ti, ou se por mim
Apenas rezo. -- Não sei por quem.
Vejo teus olhos e neles não creio,
Nem em lamparina, nem em estrelas.

As estrelas, todas as estrelas,
Assim como o teu olhar celeste,
Ardem e penetram o fundo da alma
-- Ali veem e contam as mentiras...

Porque jamais, estas estrelas,
Dirão-me toda a verdade... Quem
-- agora, apagou a tua lamparina?..
Apagou, depois, apareceu na janela.

Se o reflexo da lua bateu na janela
E -- introspectivo, eu não percebi?
Ou da noite -- talvez os devaneios,
Abrasadores ruidos de silêncio total?

Mas também pode ser -- junto à cerca
O farfalhar de folhagens ao vento?
Não!.. Eu ouço todos os que eu amo
Ao som da minha divertida lágrima...

E, como uma sombra, da sua porta
Ele levantou-se, quase sem respirar...
Ele cansou porque atrasado?..
Ou atrasou-se porque cansado?

***

Tradução do russo por Mykola Szoma
(Время новое)

Novos tempos

Os ventos sopram em novos tempos -- Veja,
Nas asas os ventos trazem tempos novos:
Há quem, em brasa os seus olhos explode,
Como se o brilho estelar seu rosto tocasse,
Já outros, seus olhos e faces tombaram --
Como se nuvens escuras, as noites baixaram.

*** ***

Tradução do russo por Mykola Szoma
(Встреча, 1844)

Um encontro

Ontem nos encontramos; -- Ela parou -
Eu parei também -- Nos olhos nós nos olhamos.
Meu deus, como diferente ela ficou;
Seus olhos se apagaram, as faces empalideceram.
Em silêncio, por muito tempo, fiquei olhando nela
-- Ela estendeu-me a mão, esboçou um sorriso leve;
Tive vontade de conversar com ela -- Ela pedia-me
(assim me pareceu) que calado eu ficasse. -- Virou
de lado o seu corpo, mecheu as sobrancelhas. Tirou
a sua mão, e murmurou: "Adeus, até a vista";
Queria eu então dizer: -- "Para a eterna separação
Adeus, perdida, porém uma querida criatura".

Tradução do russo por Mykola Szoma
(Вызов, 1844)

*** *** ***

Um convite

Do lado de fora da janela aparece
           Uma cabeça castanha.
Tu não dormes, és o meu sofrimento!
           Tu não dormes, marota!

Venha ao meu encontro!
           Dê-me um beijo ardente,
Juntemos coração ao coração
           Calorosamente nos abraçando.

Não tenhas medo de mim. As estrelas
           Cintilantes iluminam:
Eu te agasalharei com o meu casaco
           Para que ninguém te reconheça!

Se por acaso o guarda chamar-nos atenção,
           Responda-lhe que és um soldado;
Se perguntarem, com quem tu estiveste,
           Diga-lhes, que falaste com irmão!

Porém, se uma devota te vigiar
           Pois a clausura aborrece;
E a falta de liberdade involuntariamente
           Ensinará a esperteza e sabedoria!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Revele-te


Revele a tua face...
Mostre-nos -- a todos, quem tu és!
Saber queremos qual é a tua...
Embra parecer te queres
com o que não és...

Tens fala mansa. Predicas
sábias frases, em tuas preleções.
De fato porém, os atos teus
não correspondem aos ditos
-- dos teus ensinamentos.
Qual é a tua pois?
Tu sabes despistar bem!..

Já, outro dia, falei que percebi
comportamento estranho em teus
desejos preocupantes: Quando
-- porque razão não sei
Mudar quiseste o nome
da entidade -- Que tua
não era; Embora, a ti confiada o
fora... -- Melhor seria dito que
              de modo inocente,
              foi ela "jogada fora",,,

Naqueles anos -- Tu sabes quais.
A entidade serviu de base
a teus pés então cambaleantes...

Aproveitaste, cresceste em:
ousadia, conhecimento
e "malandrice" e
Uma rasteira, aos que te apoiaram,
de pé passaste. Quebraste
A ordem natural das coisas...
A quem chegou primeiro, atrás de ti
-- "furando a fila", deixaste!

Valeu de nada a tua ousadia.
Como fumaça, dos teus atos
a ventania tudo espalhou.
Onde está a tua sabedoria?.. Aquela
Da qual o Ego teu sempre falou?..

No tapetão tentaste derrotar:
os teus pretensos inimigos,
Os que quiseram se opor aos
teus "desígnios" malvistos.
Não conseguiste! Porém,
ficaste só e triste.
Falando para si,
Consigo mesmo e só!